A Escola Municipal José Nunes de Figueiredo (EMJONF) completa neste ano 40 anos de relevantes serviços prestados no campo da educação a cidade de Ouro Branco. Fundada em 1979, na 1ª gestão de Dr. Araújo, a escola tem o nome de José Nunes de Figueiredo, figura importante da história de Ouro Branco. Parabéns EMJONF! Abaixo, descrevo um resumo da vida de José Nunes de Figueiredo na cidade de Ouro Branco.
José Nunes de Figueiredo (1888-1968) nasceu no município de Caicó. Era filho de Odilon Fulgencio de Figueiredo e de Luíza Nunes da Costa. Odilon Fulgencio de Figueiredo é considerado o primeiro professor da cidade de Várzea – PB que o homenageou colocando o seu nome no principal colégio daquela cidade. Odilon Fulgencio de Figueiredo era filho do Padre Gil Braz de Figueiredo e de Maria Brasiliana de Jesus. Portanto, José Nunes de Figueiredo era neto do Padre Gil Braz de Figueiredo. Logo após o Distrito Palma, sentido Várzea/Caicó, tem um casarão centenário ao lado esquerdo do asfalto que pertenceu ao Padre Gil Braz de Figueiredo.
Seu Zé Nunes, como era mais conhecido em Ouro Branco, ajudou de forma decisiva a construir a bela história de Ouro Branco. Logo no começo do século passado, José Nunes juntamente com Zé Galdino, avô de José Galdino de Souza, dono de uma loja de construção em Ouro Branco, foi embora para a região amazônica em busca de ganhar dinheiro nos seringais daquela região no período da fase áurea da extração de látex para produção de borracha.
Quando José Nunes voltou em 1919 da região amazônica, o mesmo enveredou pelo ramo do comércio exercendo a profissão de almocreve. Ele comprou uma tropa de burros para fazer a rota Ouro Branco a Campina Grande e vice-versa, negociando os mais variados produtos. Também conheceu Dona Ana de Medeiros Brito (1901-1984) e com ela se casou em 15 de outubro de 1919 na capela do Espírito Santo (atualmente Matriz do Divino Espírito Santo), como consta no livro de assentamentos de casamentos da Matriz de Jardim do Seridó. Abaixo, transcrição do assentamento de casamento:
“Aos quinze dias do mez de Outubro de mil nove centos e dezenove na povoação do Espírito-Santo perante as testemunhas Gil Braz de Figueredo e José de Medeiros Britto assisti a união matrimonial de José Nunes de Figueredo e Ana de Medeiros Britto, elle filho legitimo de Odilon Fugencio de Figueredo falecido e Luiza Nunes de Figueredo, Ella filha legitima de José Fernandes de Britto fallecido e Theodora de Medeiros Britto. De que mandei fazer este assento que assigno.
Vigario Antonio Vicente”
A primeira filha do casal foi a professora, escritora, pesquisadora e dramaturga Maria de Lourdes Nunes Ramalho, mais conhecida como Lourdinha Ramalho. A sua obra é conhecida em vários países. Abaixo, transcrição do assentamento de batizado de Maria de Lourdes:
“Maria, filha legitima de José Nunes de Figueirêdo e Anna de Figueirêdo Britto nasceu e vinte e trez de Agosto de mil nove cento vinte e foi por mim baptizado na Capella de Ouro branco aos vinte de Setembro do dito anno sendo os padrinhos Gil Braz de Figuerêdo e Luiza Nunes de Figuerêdo. De que mandei fazer este assento que assigno.
O Vigr°. Me. Galvão”
Maria de Lourdes Nunes Ramalho faleceu no dia 07 de setembro de 2019, aos 99 anos de idade.
Além de Maria de Lourdes, o casal ainda teve mais doze filhos: Rosalva, Ivete, Ivanilde, José, Teresa, Maria Aparecida, Hindemburgo, Maria Lúcia, Marai Elizabeth, Maria Semirames, Péricles e Jesus. Hindemburgo, após se formar em medicina, veio trabalhar em Ouro Branco na década de 1950.
O casal José Nunes e Dona Ana lutou muito pelo desenvolvimento de Ouro Branco. Dona Ana foi a responsável diretamente pela instalação da agencia postal no Distrito de Ouro Branco, no dia trinta de agosto de 1924, sendo também ela a primeira funcionária da mesma agência. Dona Pergentina de Chico Zuza seria a primeira funcionária da agência, mas declinou do convite. Dona Ana trabalhou também como tabeliã em Ouro Branco no começo da década de 1930. Também se dedicava a poesia sendo considerada uma ótima poetisa.
Além de ser comerciante e político, José Nunes também participou da banda de música que Honório Capiba tentou formar em Ouro Branco nos primeiros anos da década de 1920, mas como o projeto não obteve êxito, Honório Capiba foi embora para São João do Sabugi em 1924, e lá fundou uma banda de música em 1926.
Em 1930, José Nunes constrói o primeiro Mercado Público de Ouro Branco no local onde atualmente fica a Praça Aluízio Alves. O Ato n° 04 de 02 de março de 1930 (a cópia do documento foi enviado para mim pelo pesquisador Edvaldo Alves), da prefeitura de Jardim do Seridó, manda construir o mercado público de Ouro Branco, só que a prefeitura de Jardim do Seridó não tinha o dinheiro suficiente para a construção do mercado então aceitou a oferta de José Nunes de Figueiredo que resolveu construir o mercado por quatro contos de réis sendo ressarcido posteriormente em três parcelas pela prefeitura de Jardim do Seridó.
No ano de 1932 José Nunes comprou o primeiro caminhão de Ouro Branco em sociedade com o comerciante Chico Zuza. O caminhão veio para substituir a tropa de burros. Também foi dono da primeira padaria de Ouro Branco. A padaria funcionou onde hoje está localizado o bar de Zé Baiano, esse ponto comercial ainda pertence à família de José Nunes, como também, algumas peças (cilindro) que faziam parte da padaria continuam ainda lá. Juntamente com a padaria tinha a loja de tecidos e de miudezas. O gerente do comércio de José Nunes foi Luiz Cirilo, pai do Padre Francisco Carlos. A máquina registradora da padaria e da loja de tecidos se encontra atualmente no meu acervo particular de peças antigas. José Nunes também foi dono da casa que pertenceu posteriormente ao ex-prefeito Manoel Nogueira e sua esposa Cristina. Ele vendeu a casa a Manoel de Brito (sobrinho de Dona Ana) que posteriormente a revendeu a Manoel Nogueira.
José Nunes e Dona Ana se destacavam na política local, tendo bastante influencia também em Jardim do Seridó, devido, principalmente, a família de Dona Ana ser daquela cidade. No campo político, José Nunes foi vereador em Jardim do Seridó representando os interesses do Distrito de Ouro Branco nas legislaturas de 1931-1933 e 1933-1935.
Na década de 1930, a política aqui no Seridó, como no resto do estado, vivenciou muitas perseguições políticas devido às várias mudanças no comando político estadual com vários interventores federais sendo nomeados num curto espaço de tempo, fazendo com que José Nunes e sua família se mudassem para a cidade de Santa Luzia no ano de 1935. Entretanto, José Nunes e Dona Ana de Brito Figueiredo não escondiam o desejo que tinham de que um dia Ouro Branco conseguisse se emancipar de Jardim do Seridó. E foi José Nunes um dos primeiros que abraçou a ideia da emancipação política de Ouro Branco em relação a Jardim do Seridó. É tanto que no discurso proferido por Luis Basilisso no dia 1º de janeiro de 1954, dia da instalação do município de Ouro Branco, ele reconheceu que José Nunes foi um dos primeiros a disseminar a ideia da emancipação política. José Nunes e Dona Ana viveram para ver esse desejo se realizar, pois os dois estavam presentes na solenidade de instalação do município de Ouro Branco, no dia 1º de janeiro de 1954. Todos os dois assinaram o livro de ata.
Por: José Fabrício de Lucena
Fonte: livro: “Ouro Branco: De 1722 a 1954”.
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