Desde
o início de 2013 dois assuntos em especial, tomaram conta dos
principais blogs, jornais e noticiários do Seridó e também da grande
mídia estadual: A construção da barragem “Oiticica” na cidade de
Jucurutu e a Criação da UFSER (Universidade Federal do Seridó) na cidade
de Caicó.
Cada
cidadão analisa os dois assuntos diante de seu ponto de vista em meio a
sua formação histórica, religiosa, cultural e socioeconômica. Cada um
opina da forma mais conveniente, sempre defendendo seu ponto de vista e
ideais. Porém, sobre dois assuntos tão importantes, temos que ir além da
conveniência. Temos que ser racionais e maduros, pois, existem muita
coisa em jogo. Coisas que são ou não mostradas. Interesses particulares e
políticos dominam. Muito dinheiro está em jogo. Principalmente o seu
que paga seus impostos rigorosamente em dia a união!
No
quesito “maturidade", a barragem de Oiticicas sai na frente. Já é um
projeto muito antigo que vem suprir nossa falta de infraestrutura
hídrica. Principalmente, por vivermos numa região que ainda não está
preparada para uma estiagem severa como esta que nos castiga desde o ano
passado. Somos frágeis neste quesito. Nossa infraestrutura é mínima.
Não podemos continuar desperdiçando nossa valiosa água nos entregando ao
luxo de se embelezar vendo-as correrem para o mar, pois, em nosso
semi-árido o bom inverno infelizmente é exceção. Chuva é coisa rara,
pode cair ou não!
Necessitamos
de mais infraestrutura nesta área. Nosso povo sofre e adoece com a
morte de seus rebanhos. Os que tinham pouco, depois de um longo ano sem
chuvas, ficaram sem nada. Várias de nossas cidades enfrentam um sério
colapso de água. E as medidas tomadas pelos governos federal e estadual
não são suficientes sequer para garantir o abastecimento residencial
seja rural e/ou urbano. As prefeituras e seus respectivos prefeitos,
acabam absorvendo e sendo vítimas do grande ônus gerado pela falta de
compromisso dos grandes.
Um exemplo a ser dado quanto a falta de maturidade na projeção e realização de uma obra é a transposição do Rio São Francisco.
A
ideia continua sendo pertinente, porém, o projeto e os políticos que o
executaram não estavam e continuam não estando maduros. Se pararmos um
pouco para pensar, existem alguns dúvidas que assombram: Quantas
readequações foram feitas na obra? Quantos milhões foram adicionados?
Quantos milhões foram desperdiçados? Quantos foram roubados? Quantos
anos a sociedade nordestina ainda vai ter que esperar por aquelas águas?
Enquanto elas não chegam, ainda temos que conviver com a falta de
perfuração de poços, de construção de açudes, de barragens e de
adutoras. Nosso povo clama por água. Nem parece que vivemos no século
21. A guerra por água talvez esteja por começar!
Quanto
a UFSER, esta será muito bem vinda. Porém, o projeto ainda é novo.
Precisa ser mais debatido em meio a sociedade. Ainda tem muito chão pela
frente antes que esta saia do papel. O seridó não precisa de mais uma
universidade "meia boca". Nossa região precisa de uma instituição séria,
a altura de nosso povo, de nossa história e de nosso potencial de
econômico de desenvolvimento.
Quantidade
não é sinônimo de qualidade. Em nosso seridó já existe a presença da
universidade pública. São 2 campis da UFRN e UERN nas duas principais
cidades da região – Caicó e Currais Novos. Sem contar a existência de
dois campis do IFRN nas mesmas cidades. Além disso, todo RN é conhecedor
da precariedade estrutural e de ensino oferecidos pelas universidades
citadas. No momento, a decisão mais conveniente, racional e prudente é
tentar melhorá-las ao invés de se criarem outras!
O
grande “X” da questão, são as eleições gerais que se avizinham. Todos
nossos “líderes” estão querendo aparecer para marcar seu território e
usar seus “discursos de apoio” como moeda eleitoral no pleito que se
aproxima. Querem ganhar o voto de nossa classe pensante, principalmente,
de nossos jovens, com ideias inovadoras, prometendo mundos e fundos,
sem antes estabelecer alicerces sólidos, viáveis e sustentáveis para a
concretização destas.
Uma
indagação: A Universidade Federal do Seridó é importante para nosso
desenvolvimento? A resposta é obvia. Sim! Porém, vamos discutir mais.
Vamos envolver mais os setores de nossa sociedade. Sem exceção de
ninguém. Todos são importantes neste debate. Do mais humilde ao mais
abastardo. Todos são peças fundamentais neste processo, neste debate,
pois, somos todos seridoenses. Enfrentar e superar desafios são tarefas
cotidianas em nossas vidas!
O
sertanejo seridoense carece de água. Sem ela, nossa região corre um
sério risco no processo já iniciado de desertificação. Esta é uma
tragédia já anunciada por parte dos pesquisadores e estudiosos do
assunto. Se medidas sérias e maduras não forem tomadas, vamos virar
deserto. Vamos ter que abandonar nossas casas, nossas vidas, nossas
histórias e procurar um lugar que nos acolha longe do nosso berço de
origem. Jamais seria contra a criação de uma universidade que daria a
largada para nosso desenvolvimento.
Principalmente
quando esta fortalecerá nossa identidade cultural que anda em
descompasso com a realidade de nosso povo. Porém, esta prioridade pode
ser mais amadurecida. No momento, a prioridade urgente é água!
Fonte: Jackson Dantas Filho/via Jair Sampaio